14.12.08

R.

Meus olhos estão ruivos
Minha boca está ruiva
Meu peito e meus desejos rubros
De uma pureza lasciva

2.12.08

Se Deus eu fosse

Não vou deixar nenhum santo roubar a sua alma
Pra prendê-la como a areia nos tijolos da igreja
Não vou deixar nenhum rei escravizar meu povo
Transformar em velho todo coração novo

Vou brindar vinho com o diabo
Livrar os ratos do porão
Varrer todas religiões
Derrubar a inquisição

Vou fechar churrascarias, matadouros e açougues
Transformar em bicicletas todos os automóveis
Eu vou publicar cultos de maçonaria
Converter todas as regras em ideologia

Vou abrandar os oceanos
Vou romper todas barreiras
E revelar todos meus planos
Pra um universo sem fronteiras

1.12.08

Eu quero salvar sua alma

Não sou nem um anjo, nem pretendo ser
Mas eu quero salvar a sua alma...

Sinto seu coração aflito
Perante as grandes magazines
Escarrando propagandas
Shopping Centers e vitrines

Eu sou pobre, e me contento em ser
Desde que eu salve a sua alma...

A burguesia te envenena
A tua alma ela roubou
O velho sonho americano
A liberdade lhe arrancou

Não sou Elvis não sou J.Lennon
Apenas quero salvar a tua alma...

Dr. Thompson

E quando o prato vira cinzeiro
Nossa alma se arma até os dentes
Abraçamos a privada em desespero
Enquanto a garganta expele fakes

Vulcões vomitam lava
Nossas palavras um gosto azedo
Em nossas lágrimas o sal da terra
Dando luz a um novo enredo

Um dia vamos alcançar
A força estranha que nos guia
Como diria Dr. thompson
A noite é a luz do dia

26.11.08

Pobre poeta

Oh pobre poeta
A poesia se voltou contra você
Seu céu azul agora é tempestade
E sua terra prometida, cinzas...

Oh seu louco sonhador
Até que ponto a realidade te machuca?
Como diz coisas tão cínicas e belas
E se reclusa as próprias trevas?

Oh pobre poeta
Deitado em seu leito hospitalar
Sem ninguém pra trazer flores
Ainda flores tens pra dar

Diamantes não se quebram

Você aí dentro
Você seria capaz
De tocar a solidão da lua?

Você voaria, tão alto quanto
um pássaro de metal?
E brilharia tanto quanto o sol?

Você curaria todos os cegos?
Mataria a fome da áfrica?
Você aí dentro...

Ei, Sr. Sonolência...
Você andaria sobre as águas?
Você cairía de joelhos à terra?

Você aí, confusão!
Tá com medo de se quebrar,
mesmo sabendo que diamantes não se quebram?

Bárbara

Em teus olhos águas claras
Nos teus braços brisa leve
No teu peito todo o amor

Em teus traços um sorriso
Na tua pele liberdade
Do seu corpo uma flor

Na tua boca beijos doces
Pro teu desejo um delírio
Pra tua mão, outra mão...

Pro teu caminho uma luz
Pra tua vida um anjo louco
E para protegê-la todos nós

Na tua passagem mil cortejos
No teu reino lealdade
Pra tua coragem gratidão

28.10.08

O guardião do tempo

Sinto agora o pesar da sua mão sombria
Como um velho pássaro pousando sobre meu ombro
O seu sussurro, veludo e vampiresco
Me soprando macetes latentes de outrora

Ouço o seu murmúrio nas caminhadas noturnas
No vagir doce e saturnal da amante proibida
No uivo das frestas de janelas
No olhar misterioso e ébrio do mendigo

Ouço-te no ricochetear das ondas sobre as pedras
No reflexo solitário da lua em águas turvas
No vento morno que balança o topo das paineiras
Ou no silêncio do abismo entre as estrelas

Contigo irei brindar a minha morte
De mim serás eterno nau
Serei teu servo guardião do tempo
Me ensine a vida e seu segredo

14.10.08

Conservador anarquista

Um passo vermelho, outro azul
Às vezes alegre, outras triste
Horas quente, horas frio
Às vezes presente, às vezes vazio

Metade esquerda, metade direita
Ah!Conservador anarquista?!
Dr. Jekyll e Mr. Hyde
Poeta, retrô-modernista

Me pergunto se Buda caçava
Aves no fim de semana
E se garotas negras
Achavam Hitler bacana

6.10.08

Alfredo

Alfredo sempre antes de voltar pra casa
Pegava o caminho do bar
Pedia sua dose de cachaça
Dentro do copo via sua vida esvaziar

E sempre quando a noite caia
Alfredo caia também

Risos falsos em rostos disfarçados
Pessoas de plástico
Em uma esquina Alfredo caiu
E não mais levantou

Alfredo só usava roupas velhas
Ele só ligava o interior
Não conseguia desligar sua mente
Bebia para amenizar a dor

5.10.08

Sodomia

Somos sacos de carne e ossos vagando em meio ao caos,
desesperados seres inaturais
seguindo injúrias de um Deus injusto.
Somos serpentes com sede, vermes corruptos
varrendo o tédio para debaixo do tapete de pele felina.
Somos ninfetas em meio ao baile,
crocodilos no deserto,
gados marcados por senhores feudais.
Somos garrafas de coca-cola nas entranhas da terra.
Cartões magnéticos, planos de saúde, impostos e regras.
Negócios, fronteiras, carro do ano, tecnologia.
Somos tudo, menos nós.
De fora pra dentro, sodomia...
Prostitutas comprando um sorriso artificial.
Somos olhos vazios presidenciais,
metrosexuais na bolsa, gel, óculos e camisas bem passadas
disputando milhares de dólares, no espaço de uma grande explosão.

1.10.08

Corações inabalados

A música está morrendo
Esvainecendo no rayol do cú do mundo
Cada acorde sendo vigiado
Pela censura do diabo

Oh semblantes maltratados
Corações inabalados
Nesses tempos sufocantes
Toquem um último suspiro

O eterno eco do passado
Só os vermes ouvirão
Pois a verdade sucumbirá
Eternamente no porão

O ódio será a batida
O fascismo um Mi maior
A mulher um Fá tristonho
Jazindo em algum sonho

Seja herói incandescente
Seja alma atormentada
Faça das tripas música
Da guitarra uma jangada

27.9.08

O vagabundo iluminado

Toque o blues mais melancólico
Calce seus sapatos mais novos
A estrada é longa
E você não tem nenhum território

Você está apenas rodando
E esse é o seu pecado
Destruidor de lares
Vagabundo iluminado

O caos andante
Amor desgovernado
A paz embriagada
Vagabundo iluminado

Alma sádica
Deixando rastros de pureza
Exaltando a tristeza
Do povo mal tratado

25.9.08

Verso sobre a ressaca

Hoje vou ficar de lado...
a volúpia do trago demasiado,
veio a me acamar.
E veio a noite forte,
quase como morte
de chicote me açoitar...

24.9.08

Primaveril severina

Adoro o perfume
Primaveril severina
Flamando entre as pernas
Jovens da menina

Perfume sagrado
Escarlate dengoso
Molhando os meus lábios
Escalando meus ombros

Suas ancas desvelam
Um jardim de rosas
De pronto me excita
Primaveril severina

16.9.08

A alma, o poeta e a morte

A alma do poeta morreu!...
Morreu na tarde silenciosa
De um bosque de ipês
Numa fria tarde de outono

Morreu sem choro
Morreu sem reza
Foi-se com o vento
Leve e sem pressa

O poeta da alma morreu!...
Morreu no gozo
Da mulher amada
Na lua de alguma estrada

A morte do poeta almou!...
Almou a lua, almou a estrada
Almou o gozo
E a mulher amada

Café com Mussolini

Bom dia, escravo do relógio
O sol nasceu como um fuzil na sua cara
O tempo corre, o tempo é muito louco
Um anjo louro roubando sua alma.

Regras impostas, porcos egoístas
Olhos vazios de um povo masoquista
Dois olhos negros no alto da torre
Vigiando a casa verde alienista

Magia negra é a alma do negócio
Pessoas tolas, pessoas satisfeitas
A serpente rasteja pelos campos
Esperando a hora da colheita

Bom dia, escravo dos ponteiros
Tome um café com Mussolini
Se encaixe junto aos motores
Da máquina que te reprime

3.9.08

A filha do sol

Em segredo ela me contou
com fogo em seus cabelos,
a princesa do amor...
Sussurou que há muito tempo homens não lutam por ela
e a batalha é queda livre,
em direção a liberdade...

E que no seu jardim, enquanto flores nascem em meio ao desespero,
no seu jardim, enquanto crianças cegas lançam bombas ao ar,
o seu suspiro choroso cavalga a la vento norte
e suas lágrimas de sol queimam, em terras inóspitas...

Na manhã, perante seu majestoso olhar,
Os fracos temem morrer sós.
Mas quando ela lança estrelas no espaço e serpentes à terra,
os fortes dançam com lobos

30.8.08

Cinto de castidade

Monastério, monastério,
por que tanto mistério?
Porque tantas periquitas,
vives à enjaular?

Olhos de burguesia,
estão à fuzilar,
qualquer broto
pronto pra brotar...

Mantenha distância,
diz o altar.
A menina é pura
e ela não pode dar.

Doce sangue jovem,
à me torturar...
Porque nasceste
em berço de ouro?

Derrubarei
a inquisição,
e arrebentarei
o teu áureo cinto,
que arde em castidade...


Rubens Vinícius.

29.8.08

O amor e a lua


De um amante solitário...

Lamento querida, encontrei um novo amor.
Novo não, um antigo, uma velha amiga, a dor...
O amor livre da cegueira do sol.

Só ela irá deitar em meu peito e descansar eternamente,
tão leve quanto a chuva de verão
que nos abençoa numa doce manhã...
Tão pura como as nossas primeiras noites de amor e vinho.

Só ela nos ama de um jeito que nem os poetas podem descrever.
Pode erguer e derrubar reis.
Não te enfraquece, te confunde
ou deixa sem chão.
É real, move o mundo...

É o amor livre, livre dos rastros do homem,
na sua mais nobre vertente.
É a corda de um lado ao outro do abismo,
A tempestade que acerca sem tripudiar...

É a eterna batalha entre o dia e a noite.
A noite sempre prevalece,
pois a noite é mais pálida e mais sincera, como a lua...
A lua jamais esquecerá o olhar da pessoa amada
e o sol jamais deixará de ser leviano.
Vice-versa...

Rubens Vinícius

22.8.08

Crepúsculo


Véu de noite
Cortina que cai
E me faz padecer de um sonho
Beijo assim a face muda
De um assombroso por vir

Encerro em minha saliva a dor
Que por minha língua
Salta a garganta
E mergulha num poço de agonias
Meu estômago

Lábios que tocam a flor louca
Que queima num vil quintal
Lábios que sopram vertigens azuis e brancas
Num vasto deserto de solidão

Rubens Vinícius

19.8.08

Planet Caravan

"O homem é corda distendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre um abismo; travessia perigosa, temerário caminhar, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar." - Nietzsche "Assim falou Zaratustra", 1883


Não me vejo, à essa altura, ocupando uma função bem remunerada na sociedade.
Até porque, faço parte da escória, dos mal-sucedidos, dos renegados pelo Deus do homem.
Não me considero um artista divinamente inspirado, apenas sinto compaixão pelo que ainda resta da humanidade e uma vontade imensa de incomodar os outros.
Várias vezes já tentei me disfarçar em meio as marionetes, mas meu impulso de vida logo era percebido.Assim morri várias mortes(minha vontade se ser livre parece intimidar os que estão á minha volta).
Sempre voltando mais fortalecido desses mergulhos ao inferno, e com um campo mais amplo para atuar...
A cada dia que passa, vejo mais eletro-humanos disfarçando sorrisos e empurrando carrinhos com seus eletro-bebês nas filas do supermercado.

Babilônia

Babilônia, porque você insiste em me botar pra baixo?
Você e seu um milhão de pulgas?
Você sabe, jamais cairei aos teus pés como os teus mentores e súditos.
Vou acertar o teu calcanhar de Aquiles e fazer o teu peito transbordar.
Jogarei o teu jogo até você me descobrir.
Nadarei no teu sexo e até descansarei em teu seio,
mas quando você começar a me endurecer com os teus olhos de ouro,
arrancarei o teu útero e tomarei a próxima geração...


Rubens Vinícius



http://www.myspace.com/osdesertores