30.8.08

Cinto de castidade

Monastério, monastério,
por que tanto mistério?
Porque tantas periquitas,
vives à enjaular?

Olhos de burguesia,
estão à fuzilar,
qualquer broto
pronto pra brotar...

Mantenha distância,
diz o altar.
A menina é pura
e ela não pode dar.

Doce sangue jovem,
à me torturar...
Porque nasceste
em berço de ouro?

Derrubarei
a inquisição,
e arrebentarei
o teu áureo cinto,
que arde em castidade...


Rubens Vinícius.

29.8.08

O amor e a lua


De um amante solitário...

Lamento querida, encontrei um novo amor.
Novo não, um antigo, uma velha amiga, a dor...
O amor livre da cegueira do sol.

Só ela irá deitar em meu peito e descansar eternamente,
tão leve quanto a chuva de verão
que nos abençoa numa doce manhã...
Tão pura como as nossas primeiras noites de amor e vinho.

Só ela nos ama de um jeito que nem os poetas podem descrever.
Pode erguer e derrubar reis.
Não te enfraquece, te confunde
ou deixa sem chão.
É real, move o mundo...

É o amor livre, livre dos rastros do homem,
na sua mais nobre vertente.
É a corda de um lado ao outro do abismo,
A tempestade que acerca sem tripudiar...

É a eterna batalha entre o dia e a noite.
A noite sempre prevalece,
pois a noite é mais pálida e mais sincera, como a lua...
A lua jamais esquecerá o olhar da pessoa amada
e o sol jamais deixará de ser leviano.
Vice-versa...

Rubens Vinícius

22.8.08

Crepúsculo


Véu de noite
Cortina que cai
E me faz padecer de um sonho
Beijo assim a face muda
De um assombroso por vir

Encerro em minha saliva a dor
Que por minha língua
Salta a garganta
E mergulha num poço de agonias
Meu estômago

Lábios que tocam a flor louca
Que queima num vil quintal
Lábios que sopram vertigens azuis e brancas
Num vasto deserto de solidão

Rubens Vinícius

19.8.08

Planet Caravan

"O homem é corda distendida entre o animal e o super-homem: uma corda sobre um abismo; travessia perigosa, temerário caminhar, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar." - Nietzsche "Assim falou Zaratustra", 1883


Não me vejo, à essa altura, ocupando uma função bem remunerada na sociedade.
Até porque, faço parte da escória, dos mal-sucedidos, dos renegados pelo Deus do homem.
Não me considero um artista divinamente inspirado, apenas sinto compaixão pelo que ainda resta da humanidade e uma vontade imensa de incomodar os outros.
Várias vezes já tentei me disfarçar em meio as marionetes, mas meu impulso de vida logo era percebido.Assim morri várias mortes(minha vontade se ser livre parece intimidar os que estão á minha volta).
Sempre voltando mais fortalecido desses mergulhos ao inferno, e com um campo mais amplo para atuar...
A cada dia que passa, vejo mais eletro-humanos disfarçando sorrisos e empurrando carrinhos com seus eletro-bebês nas filas do supermercado.

Babilônia

Babilônia, porque você insiste em me botar pra baixo?
Você e seu um milhão de pulgas?
Você sabe, jamais cairei aos teus pés como os teus mentores e súditos.
Vou acertar o teu calcanhar de Aquiles e fazer o teu peito transbordar.
Jogarei o teu jogo até você me descobrir.
Nadarei no teu sexo e até descansarei em teu seio,
mas quando você começar a me endurecer com os teus olhos de ouro,
arrancarei o teu útero e tomarei a próxima geração...


Rubens Vinícius



http://www.myspace.com/osdesertores