Sinto agora o pesar da sua mão sombria
Como um velho pássaro pousando sobre meu ombro
O seu sussurro, veludo e vampiresco
Me soprando macetes latentes de outrora
Ouço o seu murmúrio nas caminhadas noturnas
No vagir doce e saturnal da amante proibida
No uivo das frestas de janelas
No olhar misterioso e ébrio do mendigo
Ouço-te no ricochetear das ondas sobre as pedras
No reflexo solitário da lua em águas turvas
No vento morno que balança o topo das paineiras
Ou no silêncio do abismo entre as estrelas
Contigo irei brindar a minha morte
De mim serás eterno nau
Serei teu servo guardião do tempo
Me ensine a vida e seu segredo
28.10.08
14.10.08
Conservador anarquista
Um passo vermelho, outro azul
Às vezes alegre, outras triste
Horas quente, horas frio
Às vezes presente, às vezes vazio
Metade esquerda, metade direita
Ah!Conservador anarquista?!
Dr. Jekyll e Mr. Hyde
Poeta, retrô-modernista
Me pergunto se Buda caçava
Aves no fim de semana
E se garotas negras
Achavam Hitler bacana
Às vezes alegre, outras triste
Horas quente, horas frio
Às vezes presente, às vezes vazio
Metade esquerda, metade direita
Ah!Conservador anarquista?!
Dr. Jekyll e Mr. Hyde
Poeta, retrô-modernista
Me pergunto se Buda caçava
Aves no fim de semana
E se garotas negras
Achavam Hitler bacana
6.10.08
Alfredo
Alfredo sempre antes de voltar pra casa
Pegava o caminho do bar
Pedia sua dose de cachaça
Dentro do copo via sua vida esvaziar
E sempre quando a noite caia
Alfredo caia também
Risos falsos em rostos disfarçados
Pessoas de plástico
Em uma esquina Alfredo caiu
E não mais levantou
Alfredo só usava roupas velhas
Ele só ligava o interior
Não conseguia desligar sua mente
Bebia para amenizar a dor
Pegava o caminho do bar
Pedia sua dose de cachaça
Dentro do copo via sua vida esvaziar
E sempre quando a noite caia
Alfredo caia também
Risos falsos em rostos disfarçados
Pessoas de plástico
Em uma esquina Alfredo caiu
E não mais levantou
Alfredo só usava roupas velhas
Ele só ligava o interior
Não conseguia desligar sua mente
Bebia para amenizar a dor
5.10.08
Sodomia
Somos sacos de carne e ossos vagando em meio ao caos,
desesperados seres inaturais
seguindo injúrias de um Deus injusto.
Somos serpentes com sede, vermes corruptos
varrendo o tédio para debaixo do tapete de pele felina.
Somos ninfetas em meio ao baile,
crocodilos no deserto,
gados marcados por senhores feudais.
Somos garrafas de coca-cola nas entranhas da terra.
Cartões magnéticos, planos de saúde, impostos e regras.
Negócios, fronteiras, carro do ano, tecnologia.
Somos tudo, menos nós.
De fora pra dentro, sodomia...
Prostitutas comprando um sorriso artificial.
Somos olhos vazios presidenciais,
metrosexuais na bolsa, gel, óculos e camisas bem passadas
disputando milhares de dólares, no espaço de uma grande explosão.
desesperados seres inaturais
seguindo injúrias de um Deus injusto.
Somos serpentes com sede, vermes corruptos
varrendo o tédio para debaixo do tapete de pele felina.
Somos ninfetas em meio ao baile,
crocodilos no deserto,
gados marcados por senhores feudais.
Somos garrafas de coca-cola nas entranhas da terra.
Cartões magnéticos, planos de saúde, impostos e regras.
Negócios, fronteiras, carro do ano, tecnologia.
Somos tudo, menos nós.
De fora pra dentro, sodomia...
Prostitutas comprando um sorriso artificial.
Somos olhos vazios presidenciais,
metrosexuais na bolsa, gel, óculos e camisas bem passadas
disputando milhares de dólares, no espaço de uma grande explosão.
1.10.08
Corações inabalados
A música está morrendo
Esvainecendo no rayol do cú do mundo
Cada acorde sendo vigiado
Pela censura do diabo
Oh semblantes maltratados
Corações inabalados
Nesses tempos sufocantes
Toquem um último suspiro
O eterno eco do passado
Só os vermes ouvirão
Pois a verdade sucumbirá
Eternamente no porão
O ódio será a batida
O fascismo um Mi maior
A mulher um Fá tristonho
Jazindo em algum sonho
Seja herói incandescente
Seja alma atormentada
Faça das tripas música
Da guitarra uma jangada
Esvainecendo no rayol do cú do mundo
Cada acorde sendo vigiado
Pela censura do diabo
Oh semblantes maltratados
Corações inabalados
Nesses tempos sufocantes
Toquem um último suspiro
O eterno eco do passado
Só os vermes ouvirão
Pois a verdade sucumbirá
Eternamente no porão
O ódio será a batida
O fascismo um Mi maior
A mulher um Fá tristonho
Jazindo em algum sonho
Seja herói incandescente
Seja alma atormentada
Faça das tripas música
Da guitarra uma jangada
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