27.9.08

O vagabundo iluminado

Toque o blues mais melancólico
Calce seus sapatos mais novos
A estrada é longa
E você não tem nenhum território

Você está apenas rodando
E esse é o seu pecado
Destruidor de lares
Vagabundo iluminado

O caos andante
Amor desgovernado
A paz embriagada
Vagabundo iluminado

Alma sádica
Deixando rastros de pureza
Exaltando a tristeza
Do povo mal tratado

25.9.08

Verso sobre a ressaca

Hoje vou ficar de lado...
a volúpia do trago demasiado,
veio a me acamar.
E veio a noite forte,
quase como morte
de chicote me açoitar...

24.9.08

Primaveril severina

Adoro o perfume
Primaveril severina
Flamando entre as pernas
Jovens da menina

Perfume sagrado
Escarlate dengoso
Molhando os meus lábios
Escalando meus ombros

Suas ancas desvelam
Um jardim de rosas
De pronto me excita
Primaveril severina

16.9.08

A alma, o poeta e a morte

A alma do poeta morreu!...
Morreu na tarde silenciosa
De um bosque de ipês
Numa fria tarde de outono

Morreu sem choro
Morreu sem reza
Foi-se com o vento
Leve e sem pressa

O poeta da alma morreu!...
Morreu no gozo
Da mulher amada
Na lua de alguma estrada

A morte do poeta almou!...
Almou a lua, almou a estrada
Almou o gozo
E a mulher amada

Café com Mussolini

Bom dia, escravo do relógio
O sol nasceu como um fuzil na sua cara
O tempo corre, o tempo é muito louco
Um anjo louro roubando sua alma.

Regras impostas, porcos egoístas
Olhos vazios de um povo masoquista
Dois olhos negros no alto da torre
Vigiando a casa verde alienista

Magia negra é a alma do negócio
Pessoas tolas, pessoas satisfeitas
A serpente rasteja pelos campos
Esperando a hora da colheita

Bom dia, escravo dos ponteiros
Tome um café com Mussolini
Se encaixe junto aos motores
Da máquina que te reprime

3.9.08

A filha do sol

Em segredo ela me contou
com fogo em seus cabelos,
a princesa do amor...
Sussurou que há muito tempo homens não lutam por ela
e a batalha é queda livre,
em direção a liberdade...

E que no seu jardim, enquanto flores nascem em meio ao desespero,
no seu jardim, enquanto crianças cegas lançam bombas ao ar,
o seu suspiro choroso cavalga a la vento norte
e suas lágrimas de sol queimam, em terras inóspitas...

Na manhã, perante seu majestoso olhar,
Os fracos temem morrer sós.
Mas quando ela lança estrelas no espaço e serpentes à terra,
os fortes dançam com lobos