27.2.10

Fadiga

Quando tudo não parece mais fazer sentido
esqueço a face do inimigo tal vertigem,
talvez porque ela esteja em mim.
Sim, sou um cúmplice cego,
a hipocrisia, um desacato;
a humanidade mora em mim.
Em um seio o desamor, n'outro a fadiga.
Como uma ferida que ainda arde no corpo esquartejado,
como fogo que dança no deserto.
Quem nos furta a clareza,
e imunda a verdade?
Quem nos cega como o sol,
e nos tropeça com vaidade?
Ei de descobrir,
quem pintou abismos com sangue
e nos naufragou em um mar de lama!

Um comentário:

Morena disse...

Naufragamos num mar de lama, mas porque todos estão nadando para o fundo? eu quero a superfície! Será que ainda há um sol?